Marcadores

domingo, 7 de junho de 2015

João Rosa de Castro - O Erê - Com Prefácio de Rosângela Rodrigues Ferreira

A DANÇA


O ensaio no flácido castelo
Para o espetáculo das gentes;
A atenção que dou a mim mesmo;
O sorriso que já confiro ao espelho;
Narciso em seu rio de solidão.
Por que não? Por que não, então?
Odes escritas aos meus olhos;
Toda espécie de arte manifesta;
Toda imaginação que flexiono
Alimenta o meu ser que cresce.

Completude tão sonhada por nascidos;
Instintos nobres no extra-terreno espaço;
Lágrimas tépidas e sinceras;
Uma saudade que acalanta;
Riqueza nos movimentos exatos;
Candura nos gestos maternais;
Conversas mudas que se cruzam:
Tudo é tão abstrato que pareço mentir.

A dança nesse morno agasalho
De uma desilusão drummondiana.
Dê uma atenção a esta cena:
A rigidez dos pés no chão de chama;

A cálida risada da mãe que ama!