João Rosa de Castro - Amargo & Inútil


REFLEXÃO MANUAL Eu que alcanço o mundo, no fundo, no fundo, fujo de mim que por ele sou alcançado. A minha derrota funde-se com a vitória que gritam. Esse Brasil amanheceu mais vivaz, acontecendo, porém, como os submundos acontecem. Enquanto os senhores discutiam a pauta do dia, a ordem do dia, a festa do dia, um Túlio, um Avelino, uma certa Julieta ou Cecília escarafunchavam os arquivos da realidade e descobriam novos frutos nunca jamais never saboreados pela pessoa humana, nem pela sobre-humana. Eu, que alcanço o mundo, no fundo, no fundo, nada valho quando penso em pôr um preço na testa e seguir pelas ruas a distribuir relíquias a troco de esmolas, dividendos, cachês, ordenados, patentes, salários, royalties, reajustes, copyrights, todas essas coisas que forram bem o estômago. Eu seguia com o estômago forrado saltando dum castelo para outro fingindo não ver a decadência instalada entre os castelos. Eu alcanço o mundo. Creia nisso. O seu rosto expressa dúvida, tanta dúvida, tantas dúvidas, que me sinto compelido a manifestar-me dessa maneira atroz. Perdão. Um dia vou-lhe derramar cores de uma alegre aquarela. Por ora, só posso garantir que nossa gente é sóbria e feliz porque sua inteligência é contínuo passatempo.

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