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domingo, 4 de setembro de 2016

João Rosa de Castro - Amargo & Inútil


PRESSÁGIO  O pobre diabo que passou por mim soube ler as horas nos meus olhos. Eu rijo subi o viaduto frio. Percebi que uns por cento de ViventesDeRua têm parte com a cia. Os SubViventes, de andrajos pensantes, auxiliam na administração do federal reserve. Qual esmola – se liga, bacana! Não me olhe de banda... –  dizia um deles. Passa o avião: vem gente para a cidade. Passa o avião: vai gente da cidade. Pára o avião – estaciona em algum lugar do céu. Como você demorasse nas suas minúcias estratégico-teórico-faraônicas, morreu sem entender a minha carta simplória. Não me culpes. Não me culpes a mim, sweetheart. Há um enorme parque ecológico no meio da cidade: não me culpes. Envolvi-me tanto com a sua lembrança e com a sagacidade do pobre diabo e com o avião estacionado no céu, que deixei você um tanto de lado como se eu fosse um robô esquematizado para esquecer. Conhecendo a sua conta bancária, conhecendo o patrimônio de seu pai, conhecendo o seu  automóvel, não teria deixado você triste assim. I should have known the poor devil was the owner of my shadow